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A videocirurgia está passando por uma crise de imagem

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A videocirurgia está passando por uma crise de imagem. E digo isso baseado em diferentes pontos de vista. Para cirurgiões, apesar de a qualidade da imagem ter evoluído muito nessas últimas três décadas, a instabilidade dessa qualidade faz da cirurgia de cada dia uma surpresa nem sempre agradável. Para enfermagem, cada cirurgia com imagem videolaparoscópica ruim é um calvário, seja para identificar a origem do problema, seja para controlar os ânimos em sala. A engenharia clínica, sem normas técnicas claras nem instrumentos de medida precisos, fica sob o fogo cruzado entre seus clientes internos e fornecedores, nem sempre bem intencionados.

Os gestores se incomodam com o alto custo de investimento, desembolsos inesperados para manutenções e constantes solicitações de compra de novos itens.

Com este cenário em tempos de crise/retomada financeira, não há planejamento que fique de pé. A percepção de instabilidade é geral. Não tem marca de equipamentos, nem tamanho do hospital ou região do país. Em todo canto encontramos instabilidade na qualidade de imagem nas salas de cirurgia. É só passar pelos corredores dos centros cirúrgicos e olhar pela janelinha. Quando há uma videocirurgia lá dentro, quase sempre tem uma equipe cirúrgica inconformada com a imagem.

O aspecto positivo neste momento fica por conta de algumas iniciativas em busca de soluções: Engenheiros experientes estão desenvolvendo testes e protocolos para que a avaliação técnica de cada componente do sistema de videocirurgia seja pragmaticamente analisada e possamos retirar os “achismos” de campo. Os gestores estão debatendo muito os atuais modelos de acesso à tecnologia.

A compra está perdendo força e modelos como locação, comodato e até mesmo parcerias de desenvolvimento tecnológico, passaram a fazer parte das pautas estratégicas. Vide os atuais centros de inovação encampados por grandes instituições de saúde. Os cirurgiões mais tecnológicos estão se aproximando de especialistas das indústrias, buscando entender mais sobre os recursos disponíveis nas novas microcâmeras e se adaptando à velocidade com que o mercado evolui. A enfermagem está se renovando e entendendo que tecnologia dentro do centro cirúrgico veio para ficar, portanto, é melhor aprender a lidar do que apenas fugir e reclamar dela.

Mas, vejo que existem 3 fatos concretos influenciando essa instabilidade na qualidade de imagem atual. O primeiro é que dos anos 90 pra cá a qualidade da imagem capturada pelos endoscópios rígidos e gerada pelas câmeras aumentou muito. Saímos de 450 linhas analógicas das antigas “toshibinhas”, para 2160 linhas digitais, com a imagem 4K. Isso sem contar no aumento da capacidade de processamento digital dessas imagens. O segundo fato relevante foi a mudança no método de esterilização das óticas, que após a crise da micobactéria, em 2008, passaram a ser autoclavadas, um processo muito mais agressivo, tecnologicamente, do que a imersão em químicos antes utilizada. Já o terceiro fato é um mantra no segmento de fotografia e filmagem – Imagem é Luz. Então quanto maior a superfície do(s) chip(s), mais luz precisaremos para formar uma boa imagem. Aí entram o cabo de fibra e a fonte de iluminação.

Hoje os sensores de imagem das boas câmeras capturam 60 frames de 1920×1080 pixels por segundo, o que significa que pequenos trincos em lentes bastões internas de uma ótica já geram perda da qualidade total percebida por um olho bem treinado. E se tem uma coisa que cirurgião tem, é olho bem treinado. Ele pode não saber dizer o que acontece, nem o porquê de estar ruim. Mas ele sabe que está ruim. Acredite nele. As câmeras antigas levavam alguns dias, semanas e até meses, para nos dar a certeza de que algo errado estava acontecendo. Geralmente, infiltrações. Era quase o único diagnóstico na época.

As óticas compradas nos anos 90 duravam 15 anos, sendo 10 com excelente qualidade de imagem. Atualmente, a partir dos 200 ciclos de autoclave, a perda de qualidade já é percebida. As melhores marcas com os melhores cuidados, chegam com boa imagem aos 1000 ciclos de autoclave, mas são raros os casos. Uma ótica não se danifica apenas em seus bastonetes de imagem, a fibra de luz, após muitos ciclos de autoclave, passa a distorcer as cores e a entregar à câmera um branco amarelado, quente – não há White Balance que resolva. O vermelho sangue vira vermelho telha. O azul vira violeta. Quando sagra, fica escuro. E aí começa a confusão na sala de cirurgia.

E não podemos esquecer que nos países desenvolvidos, os sistemas de videocirurgia são comprados e regulados para apenas uma clínica cirúrgica e, aqui no Brasil, é comum um mesmo sistema ficar disponível para diferentes especialidades. Um sistema de imagens calibrado para cirurgia geral deverá gerar uma boa imagem em cavidade grande, insuflada com CO2 e de anatomia com cor predominantemente vermelha. Já a ortopedia precisa gerar uma imagem em cavidade pequena, insuflada em meio líquido com cor branca. A otorrino tem cavidades mínimas, vermelhas e muito úmidas. A ginecologia endoscópica trata de cavidades insufladas por meio gasoso ou líquido, de anatomia pequena e cor vermelha.

Ou seja, a cada equipe que entra na sala cirúrgica, é como se o estúdio de filmagem mudasse. A refração luminosa no gás é diferente do meio líquido. A anatomia vermelha precisa de um ajuste de brilho e ganho, a branca de outro. Mudou o calibre da ótica? É outra lente. Outro ajuste. Cada fotógrafo tem que saber bem a melhor regulagem de cada uma de suas lentes.

Especialistas dizem que cada indivíduo possui seu próprio grupo de fotorreceptores oculares e que esses podem ser “treinados”, estimulados. O meu vermelho pode ser diferente do seu. Olha a complexidade disso.  

Por esses fatores todos é que podemos afirmar que a videolaparoscopia está passando por uma crise de imagem. A abordagem minimamente invasiva está sendo cada vez mais adotada. Novas especialidades, como a cardiologia, já começam a adotar técnicas cirúrgicas por imagem, o que só aumentará a complexidade do problema. Sem normas e instrumentos padronizados, passou a ser fundamental possuir um bom parque de óticas e cabos. O que impacta em custos.

Contratos de manutenção são boas estratégias, mas vale combinar tudo isso com um padrão próprio de medição e comparação utilizando luxímetro e caixa preta, que foi a melhor forma que encontramos para reduzir o estresse nas salas cirúrgicas de videocirurgia, criando rotina de monitoração constante com registro em luz e imagem de cada cabo e cada ótica para poderemos definir os padrões de luminosidade aceitáveis para cada especialidade, equipe e tipo de procedimento.

E você? Conseguiu resolver esse problema em seu hospital? Nos conte como fez.

Grande Abraço

Guarany Guimarães
Diretor de Mercado – Confiance Medical

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